Andrey Escarião

Pesquisas, contos e ciência.

Forense de logs de eventos do Windows, os IDs que contam a história

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4 min de leitura

O Windows registra muito mais do que a maioria imagina, e quase ninguém olha até precisar. Logins, criação de contas, execução de programas, alterações de privilégio: tudo isso vira evento numerado, com carimbo de tempo, guardado no próprio sistema.

O problema não é falta de dado. É saber quais dos milhares de eventos contam a história que interessa.

Onde os registros ficam

Os logs de eventos do Windows são arquivos com extensão .evtx, guardados em C:\Windows\System32\winevt\Logs. Os três que mais interessam em investigação:

LogO que registra
SecurityAutenticação, contas, privilégios, acesso a objetos
SystemServiços, drivers, desligamentos, eventos do sistema
ApplicationErros e eventos de aplicativos instalados

Como todo artefato, esses arquivos devem ser copiados antes de analisar, com hash gerado na coleta, pelo mesmo princípio de Artefatos de navegador em investigação forense. Analisar o .evtx em outra máquina, sobre cópia, evita alterar o original.

Os eventos de autenticação

A pergunta “quem entrou, quando e de onde” se responde no log de Security.

IDSignificado
4624Login bem-sucedido
4625Falha de login
4634 e 4647Logout e encerramento de sessão
4648Login usando credencial explícita, comum em movimentação lateral

O detalhe que transforma o 4624 em ouro é o tipo de logon que ele carrega. Tipo 2 é login no teclado da máquina; tipo 3 é acesso pela rede; tipo 10 é acesso remoto por área de trabalho. Uma sequência de tipo 3 vindo de várias máquinas para uma só, em pouco tempo, é a assinatura de credencial comprometida se espalhando.

Uma sequência de falhas seguida de sucesso

Muitos 4625 seguidos, terminando em um 4624 para a mesma conta, é o retrato de força bruta que deu certo. É o evento defensivo correspondente ao ataque que descrevi em Quebra de senhas em pentest: do lado do alvo, cada tentativa deixou rastro.

Os eventos de persistência e privilégio

Depois de entrar, o atacante quer permanecer e crescer. Isso também deixa marca:

IDSignificado
4720Conta de usuário criada
4728 e 4732Usuário adicionado a grupo privilegiado
4672Login com privilégios especiais, útil para rastrear uso de conta administrativa
7045Novo serviço instalado, no log de System, técnica comum de persistência

Uma conta criada (4720) e, minutos depois, adicionada a um grupo de administradores (4732) é uma sequência que raramente é legítima fora de um provisionamento planejado. Cruzada com o ataque a Active Directory que descrevi em Ataques a Active Directory, ela conta o final da história do lado do defensor.

O evento que denuncia adulteração

Atacante experiente tenta apagar rastro limpando os logs. Mas a própria limpeza gera um evento:

  • 1102 no log de Security: o log de auditoria foi apagado.
  • 104 no log de System: um log de eventos foi limpo.

Encontrar um 1102 é, por si só, um forte indício de atividade maliciosa. Ninguém limpa o log de segurança no meio do expediente por acaso. E é por isso que enviar os eventos para um coletor central, fora da máquina, é tão importante: o que já saiu não pode ser apagado localmente, como tratei em Implementação e Configuração de um SIEM no SOC.

Extraindo e filtrando

Em análise sobre cópia, ferramentas de linha de comando leem o .evtx e permitem filtrar por ID e por janela de tempo. O fluxo é o mesmo da linha do tempo forense: recortar o período suspeito primeiro, depois isolar os IDs que interessam.

Esses eventos entram muito bem na linha do tempo unificada de Plaso e log2timeline, ao lado da execução de programas e da criação de arquivos, formando a sequência completa em vez de fatos isolados.

A cautela de sempre

O log prova que uma conta fez algo, em determinado horário, a partir de determinada máquina. Não prova quem operava a conta. Ligar o evento a uma pessoa exige os outros elementos que sempre acompanham uma atribuição responsável, e confundir as duas coisas é o erro que fragiliza o laudo.