Céu aberto, rasga claro os olhos de quem acorda, brisa matutina enche os pulmões de vontade de viver. Pássaros assumem um tipo de canto gregoriano e dizem que é a canção do bem acordar. Vem a luz do sol e invade, sem vergonha, meu recinto e reprova sono e preguiça. Me levanto e olho o verde, escuto a melodia, reprimo a preguiça e vou embora. Deixo tudo, desviando, ignorando e entro no escritório. Agora, sinto o cheiro, ouço o som, vejo a luz e percebo que a vida… ficou para trás, lá fora, fora de mim, fora de questão. Paredes e tetos fechados, me cega por completo. Ar-condicionado me enche os pulmões de vontade de morrer, telefones e conversas estressantes me ensurdecem. Tudo isto me mostrando que a natureza passou na minha casa, na minha vida, na minha cara, mas ficou na poesia.

Andrey Montenegro Escarião