De calos me sustento
No choro o aumento, do grito
Na esperança que o vento
Mate esse mito

E, devagar sopre
Afaste
Pra longe leve
A nata, a peste

Só tem pé, de cabra
Mão, de vaca
Corpo, que fala
E, boca calada

Armados, bandidos impunes
Nós, vítimas ao relento
Eles, governam imunes
Tirando até o sustento

Comida na mesa, meada
Educação, se faz piada
Comédia da vida, bitolada
Saúde, vai pra privada

Destino sem mira
Somente uma bala
Tira uma vida
E, mata a família

Uma vida, uma lenda, lenta
Sem cheiro, sem gosto
Sem vida… Desgosto

Pelos carros, cegos
Foco, nos egos
Pelas músicas, surdos
Os ouvidos, maltratados

Insultos…

… Ouvimos calados.

Andrey Montenegro Escarião