Feitos, um pro lado outro pro outro

Sentada te vejo alerta
O mundo observa atenta
Aberto teu olho espera
Quando nas nuvens o sol se enterra

Pinica teu olho e arde
Lágrimas escorrem tarde
E, no horizonte respinga
De sangue na terra pinga

Toda vermelha arde a terra
Pois, esquecido o Sol se sentiu
Quando tu, Lua, dalí partiu
À noite, a voltar ele te espera
Querendo vê-la, apreciá-la, na abonança
Enganado está, pensa como criança
Se enterra tu quando ele o faz
Cara-metade deixando para trás
Assim todo dia acontece
Pena, pois ele à merece

E, fim da noite chega
Mas, não os aconchega
Assim, sozinhos ficam
Sequer… pecam

Andrey Montenegro Escarião


Escuta

De calos me sustento
No choro o aumento, do grito
Na esperança que o vento
Mate esse mito

E, devagar sopre
Afaste
Pra longe leve
A nata, a peste

Só tem pé, de cabra
Mão, de vaca
Corpo, que fala
E, boca calada

Armados, bandidos impunes
Nós, vítimas ao relento
Eles, governam imunes
Tirando até o sustento

Comida na mesa, meada
Educação, se faz piada
Comédia da vida, bitolada
Saúde, vai pra privada

Destino sem mira
Somente uma bala
Tira uma vida
E, mata a família

Uma vida, uma lenda, lenta
Sem cheiro, sem gosto
Sem vida… Desgosto

Pelos carros, cegos
Foco, nos egos
Pelas músicas, surdos
Os ouvidos, maltratados

Insultos…

… Ouvimos calados.

Andrey Montenegro Escarião


Fases à Lua

Lua, das fases
Só te vejo na Cheia
Forma perfeita
De sonhos é feita
Alteza do céu
Meus olhos enfeita
Da luz faz teu véu
Me diga… Lua
Por que solidão tamanha?
Solidão te acompanha
Lua…
Luz tua me ilumina
Tão longe, facina
Lua, me traz alegria
Tira a sombra
E da dor me alivia
Me alivia agora
Te invejo por dentro
Te invejo por fora
Pois, feliz parece
Estando sozinha
Quem te merece?
Recebe benção
Rejuvenece…
No céu aberto
Parece tão perto
Que me cura
Lua, nua
Clara e escura
Me escuta, me acuda
Pois, estou dormindo
Mas, não fique muda
Continue me ouvindo
Fique parada
Enquanto vou indo
Luz alada
É fim da noite
Começo do dia
Me entrego denovo
A minha alegria
Desdenho tristeza
Pena que tardia
Adeus Lua, à Deus…
Minha Lua
Minha vida, ida…

Andrey Montenegro Escarião


Acredito

Deus, acredito em Ti porque existo. Tudo, Tudo existe. E, o Tudo veio do Nada, de repente. Só Deus para fazer isso. Como faço parte do Tudo, o criador desse Tudo chamo Deus.

Andrey Montenegro Escarião


Educação maculada

Época suja de gostos
Afogam-se sem conteúdo
Veneram entrepostos
Escondo-me, permaneço mudo

Na música sebosa
Comunicação falha
É romantismo da rosa
Cortado pela navalha

Navalha da beleza
E da futilidade
Causando tristeza
Quando na maturidade

Arrependimento certo
Ou ignorância predomina
Livros por perto
Fechados não ensina

Procurando futuro
Numa vida fútil
Ou conhecimento maduro
Pra cabeça inútil

Alegrias na tela
Com o tempo passando
A educação mela
Se vai maculando…

Andrey Montenegro Escarião


Menina circense

Quase caiu do picadeiro
Menina circense
Não pensa em dinheiro
Equilíbrio astuto
Em cima da corda
Um sorriso mudo
Tamanha altura
Divina aurora
Tupiniquim

E quando ela desce
O desastre acontece
A gente esquece
Que é humana
E que na cama
Ela quase engana
Menina estranha
Da vida mundana
Vem mais perto de mim

Precioso momento
Que te vejo bem perto
Eu até que tento
Agir todo certo
Mas, fico inquieto
Aí a rua me escuta
Tremendo por dentro
Tentando ser centro
Da sua atenção

Menina circense
Escuta esse vento
Menina madura
Carisma latente
Vê se escuta
Quando peço carente
Sem muito tento
Coloque-me dentro
Do seu coração

Andrey Montenegro Escarião


Contra mão

Que água impura
Sai dos teus olhos
Quando há dúvidas
E, você me julga
Mesmo sem ter culpa
Aí, você enxuga
O seu nariz

Menina atriz
Sempre me engana
É tão insana
Mas, me faz feliz
Menina louca
Achou a tampa
Da tua panela
Menina inquieta
Acendeu uma vela
Dentro de mim

Que lágrima pura
Caiu dos meus olhos
Quando eu te vi
Vivendo momentos
Que não são nossos
Que contra mão!
Parece que estamos
Às vezes insanos
De achar fundamento
Nesse momento
Cheio de emoção…

Andrey Montenegro Escarião


Empate do chocolate

É comendo chocolate…
Amargo chocolate
Vem prazer que derrete
Que me tira o estresse
Dá nó na cabeça
Tamanha grandeza
Aí o vício me alcança
E em mim ele lança
Um tremendo desatino
Fico parecendo menino
Explosão, tudo repentino
Junto com um tesão
O coração palpitante
Sensação diferente
Antes da boca se sente
Mas, termina fulminante
Diante
Do meu eu broxante
Chocolate danado
Amargo
Me deixou viciado
E ainda por cima
Quebrou o clima
Me tirou a vontade
Fez uma maldade
Em me saciar
Sem nem pestanejar
Sem eu permitir
Deixou Ela ir

Andrey Montenegro Escarião


Rio de Saudade

Na poesia encontro o ator desta peça
Vem toda uma luz e a orquestra afrontada
Ergue-te, pois! De topor te despedaça
Ver a cidade, uma sestra desejada

Deixa sequela aberta, eterna ferida
Rio de Janeiro e seu abismo impelido
Curvei-me diante de tanta vida
Cheio de caras e bocas, verão ardido

Quando a pluma escreve em meu semblante
Meu esquecido manto da tristeza se recupera
Do mundo esqueço naquele instante
E volta a esperança que já perdera

Me prega nos olhos quadros de imagens
Todo este vento, ar, mar e espuma
Estão sempre a me mandar mensagens
Na face me toma, a alegria assim consuma

Vejo minha sombra feliz, mas cortada
Pela distância dos amores que se agrava
Absorve do sol uma luz maltratada
E, vê que amor estima se mostrava

Estupefato, pasmado, boquiaberto no escuro
Ainda digo, sinto da dor mais a rudeza
De não poder atravessar tal muro
E, me apoderar de tanta beleza

Andrey Montenegro Escarião


A crueldade do Tempo

Que vontade de voltar…
Queria pelo menos reviver o momento em que recebi um castigo do meu pai, apenas por ter brigado com meu irmão, uma besteira qualquer.
Painho ficava numa rede se balançando bem devagar, um vento delicioso naquele terraço… Ficava lendo alguma revista, e eu ficava ao lado, sem poder ir brincar. Péssimo castigo para um menino hiper ativo. Mas, minha nossa, como eu queria de volta, queria muito mesmo…
Queria muito…
Não saber o que é a morte, não saber que o tempo passa.
Queria muito não entender a responsabilidade, nem saber o que é estresse.
Como eu queria ir passar as férias nas casas dos meus avós, tanto paternos, como maternos; eram todos vivos. E, já que eu não sabia o que era morte, não soube aproveitar o tempo. Que tempo cruel.
Ele me alivia de dores, me traz coisas boas, mas arranca todas de volta. Me cura de dores terríveis, mas me causa marcas mais terríveis ainda, as piores marcas. As marcas do tempo. Me leva a juventude, minhas habilidades, minha memória, as pessoas que mais amo vão seguindo com ele… Para onde? Pro lugar onde eu quero voltar, pro passado.
Eu vou ficando sozinho e cheio de memórias, são cada vez maiores e menos tenho vontade de acumulá-las.
Tudo que existe ao meu redor hoje em dia é uma cordial forma do tempo me mostrar que existe presente e futuro, mas que, vou perder em breve. E se eu perder tudo que tenho agora, vou ter o passado de volta?
As pessoas que me amavam vão indo embora, vão sobrando as que me odeiam. É uma luta cruel, pois sozinho eu não quero lutar, por isso que vou perder. Quem sabe assim a paz apareça? Procuro tanto a paz que enfrento várias guerras.
O tempo me cura, mas me adoece. Ele só tem me deixado triste, magoado e cada vez menos motivado. Ainda bem que as músicas são gravadas, pois as de hoje me fazem querer fugir…
Crueldade do tempo, quer de mim o melhor, o que tenho de mais precioso; o que me envolve ele toma, quebra, acaba, modifica…
Se nada dura pra sempre, então por que existe esse infinito de dores? Por que isso está durando tanto?
Viver o presente já é um pesadelo, não entendo o que venha no futuro. Quanto mais o tempo passa, mais o tempo me leva tudo que tenho de bom. Ver para crer? Por que? Se não consigo nem imaginar…

Andrey Montenegro Escarião


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